23.9.07

O novo brinquedo do Irão

Com toda a pompa e orgulho de quem não tem motivos nenhuns para o ter mas que gosta de dar uma injecção à auto-estima e de fingir que é um gigante, o Irão exibiu ao Mundo o seu novo brinquedo - o míssil Ghadr, uma actualização do Shahab-3 que o Irão colocou ao serviço há dez anos e que por sua vez é baseado no No Dong da Coreia do Norte.

O brinquedinho novo tem um alcance de 1 800 km (ou seja, 500km mais do que o seu antecessor) o que o torna capaz de atingir não só as bases americanas no Médio Oriente, como também Israel. Surge numa altura em que o "homem forte" de Teerão, Ahmadinejad, fez do programa nuclear iraniano o seu cavalo de batalha. De acordo com o presidente iraniano, o programa nuclear tem fins pacíficos e o objectivo é atingir maior eficiência energética, isto num país onde abastecer um carro com gasolina é mais barato que comprar água, mas onde uma infraestrutura obsoleta não lhe permite aproveitar ao máximo as reservas petrolíferas. Vai daí então...programa nuclear, apesar de (ou talvez por causa de) quem idealizou e aprovou tudo isto saber até ao último neurónio que metade do Mundo iria ver isto com muitos maus olhos - mas quem num país como o Irão é capaz de no início do século XXI fazer avançar um programa nuclear e ainda dizer que tem fins pacíficos, deve saber muito bem o que está a fazer - que os EUA estão demasiado atolados para conseguirem reagir, que a UE não se quer meter no assunto além de lançar umas declarações idealistas para o ar e que vai ter o apoio da Rússia e da China que vêem com bons olhos a possibilidade de terem ao seu lado um contra-peso à influência americana no Médio Oriente com hipotéticas armas nucleares.

O presidente iraniano continua a afirmar que em caso de ataque, venha ele dos EUA, de Israel ou de outro país qualquer, o Irão vai defender-se com as armas que tiver. Eu agora pergunto: até que ponto um programa nuclear pode ser pacífico quando o país que o está a desenvolver está disposto a arriscar uma guerra com os EUA e Israel (país que se ainda existe hoje em dia é porque soube defender-se ao longo dos últimos 60 anos) e a generalizar um conflito que arraste todo o Médio Oriente?

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25.6.07

Israel é a salvação?

Não sei como será o futuro próximo dos territórios palestinianos, mas não deixa de ter a sua dose de ironia que haja civis palestinianos a encontrar refúgio em Israel, escapando a um conflito político que afecta os territórios onde deveria surgir um estado palestiniano.

A actual situação não surpreende. Ninguém se pode queixar de não saber o que era o Hamas e as pessoas que nele votaram para o governo palestiniano fizeram-no de livre vontade, elegendo num acto democrático um movimento anti-democrático, que tem por base o activismo religioso extremista e que tinha entre os seus objectivos a destruição de Israel.

Do lado de Israel, a quebra entre Gaza e a Cisjordânia contribui para o reforço da sua imagem desgastada junto da comunidade internacional. Depois de anos de críticas devido às acções irresponsáveis do governo de Ariel Sharon (algumas mais do que outras), Israel pode ser temporariamente encarado como um garante da paz na região, um elemento fundamental na pacificação da Palestina, quando durante os últimos anos foi considerado como sendo a principal ameaça à paz na região.

Certamente que o bloqueio económico que foi imposto por Israel ao governo do Hamas e que prejudicou toda a população plaestiniana teve o seu peso e acabou por arrastar o nome do Hamas que falhou em todas as suas promessas aos palestinianos. Talvez uma mensagem dura de que Israel não irá tolerar governos extremistas nos territórios palestinianos? A verdade é que o novo governo é olhado com expectativa por parte do ocidente, que desta vez bem se pode redimir e colaborar para o regresso da paz e normalidade aos territórios palestinianos.

O que se vai então fazer de Gaza, nas mãos do Hamas?

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