11.8.08

Geórgia - Rússia, nova actualização

Ao quinto dia de conflito, as perspectivas de resolução pacífica parecem cada vez improváveis. De acordo com a Geórgia, cerca de metade do país encontra-se sob controlo russo e está em curso uma verdadeira invasão em grande escala pelo controlo do país. Se a missão de manutenção da paz russa nunca foi uma verdadeira missão de paz no sentido que a ONU dá à expressão, os acontecimentos de hoje, a confirmarem-se, não deixam margem para dúvidas de que a Rússia tem como objectivo reduzir a Geórgia à mais pequena expressão. As tropas russas não só avançaram além da Ossétia do Sul em direcção a Gori como também entraram no interior do território georgiano a partir da Abecázia. Na prática, abriu-se uma segunda frente, de forma a prender os georgianos que se encontram a combater na fronteira meridional da Ossétia do Sul. Isto entra em contradição directa com o que um general russo afirmou, que a Rússia não pretendia invadir a Geórgia.

Vladimir Putin acusa o ocidente de estar a inverter os papéis e a olha para o problema numa perspectiva maniqueísta de preto e branco - o que é errado, uma vez que é quase impossível criar "bons" contra "maus". Contudo, há muito que o propósito da missão russa se esgotou e ao nunca ter contribuído para a resolução dos separatismos na Geórgia, a Rússia sempre foi uma parte activa do problema.

Para quem acusa a Geórgia de ser a agressora e de ser quem desencadeou este conflito, é igualmente preciso observar o conflito de uma perspectiva mais alargada: não se tratou de uma agressão inusitada ou de uma expansão de território, trata-se da integridade territorial de um país que se vê privado de duas regiões do seu território, porque o seu vizinho tem interesse em manter aquele impasse.

Fora do Cáucaso, ainda não se encontra nada definido, quer a nível de UE, quer a nível da NATO. Será preciso esperar mais 24 horas para sabermos o que vai sair daqui, com toda a certeza a Rússia irá cada vez mais ser vista como um pária aos olhos do ocidente, o que depois das duas guerras da Tchetchénia, não abona nada a favor da Rússia. É pena que a única superpotência mundial esteja demasiado comprometida com outros problemas, caso contrário teríamos espaço para uma actuação verdadeiramente digna por parte de Washington.

Entretanto, a Rússia acusa os media ocidentais de fazerem uma cobertura tendenciosa a favor da Geórgia e de não referirem as atrocidades cometidas pelo lado georgiano - mais uma vez, a falta de bom senso e uma forma bastante primária de tratar do assunto, quando a maior parte dos media russos são marcadamente favoráveis à perspectiva oficial e de acordo com a perspectiva oficial do Kremlin, a Rússia está a fazer o que está certo.

Por sua vez, a Ucrânia, país cujo poder é próximo do da Geórgia, afirma querer rever o acordo que permite à Rússia manter ancorada a frota naval do Mar Negro em Sevastopol [na Crimeia, território ucraniano], em particular, a Ucrânia pretende impedir que a base naval seja utilizada em períodos de conflito armado.

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3 Comments:

Blogger josé manuel faria said...

Tenho acompanhado a sua posição nesta guerra. Certamente já deu para enteder que estamos do mesmo lado. Não o conheço ideológicamente. E neste como noutros casos pouco interessa. Visita blogs de direita e de esquerda sempre com uma convicção e conhecimento histórico e geopolítico imenso.

Parabéns, mesmo que seja do CDS.

Eu sou aderente do BE e responsável do partido em Vizela.

Hoje tenho desafiado a área da esquerda a falar sobre o assunto, pois vejo-os muito escondidos.

Sem dúvida que é a direita liberal que dá trunfos nesta matéria.

Parabéns.

11 agosto, 2008 22:09  
Blogger J said...

Não sou do CDS, nem do BE, nem tenho simpatia por qualquer partido político português...tão pouco acredito nos conceitos de "esquerda" e "direita", foram inventados em 1789 e deixaram de fazer sentido muito rapidamente, são pouco mais do que bandeirolas utilizadas no marketing político para agrupar pessoas consoante as suas opiniões e para assegurar um maior sucesso eleitoral à custa de alguns pontos comuns e males menores.

Por isso acho uma certa piada aos blogs portugueses mais conhecidos e como são tão facilmente divividos entre "esquerda" e "direita", às vezes os próprios autores parecem escrever posts que obriguem quem os lê a associá-los a movimentos políticos, como se o rótulo fosse mais relevante que o conteúdo. Enfim, há coisas mais importantes e é por isso que neste blog é raro escrever posts sobre Portugal, e quando o faço normalmente têm um carácter jocoso.

Obrigado pelas visitas e pelos comentários.

12 agosto, 2008 00:00  
Anonymous Anónimo said...

A COMUNIDADE INTERNACIONAL DEVERIA RECLAMAR A MESMA SOLUÇÃO PARA OSSÉTIA QUE FOI RECLAMADA PARA O KOZOVO E QUE SE CHAMA: AUTO-DETERMINAÇÃO. DE OUTRA FORMA AS NAÇÕES UNIDAS CONTINUARÃO A PERDER A SUA CREDIBILIDADE. ALÉM DISSO, AS AUTORIDADES DA GEORGIA DEVERIAM TAMBÉM PAGAR PELOS CRIMES PRATICADOS CONTRA A OSSETIA DO SUL.

THE INTERNATIOAL COMMUNITY SHOULD CLAIM THE SAME SOLUTION TO OSSETIA THAT WAS CLAIMED TO KOZOVO AND IT IS CALLED: SELF-DETERMINATION. OTHERWISE OF THE UNITED NATIONS SHALL CONTINUE TO LOSE THEIR CREDIBILITY. IN ADDITION, THE AUTHORITIES OF GEORGIA SHOULD ALSO PAY FOR THEIR CRIMES AGAINST OSSETIA OF SOUTH.

ZÉ DA BURRA O ALENTEJANO

12 agosto, 2008 10:13  

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