24.9.07

Sabedoria de Confúcio

Contrariamente ao que aconteceu em Portugal, onde por motivos "óbvios" nenhum membro do governo se mostrou disposto a receber o Dalai Lama, na Alemanha a chanceler Angela Merkel não viu motivos suficientemente óbvios para fazer como o seu colega português, e recebeu o homem que venceu o Prémio Nobel da Paz em 1989. Como podem ver na notícia, até George W. Bush já se encontrou com ele.

Mesmo assim, caiu uma chuva de protestos por parte de Pequim, que nem sequer foi ao ponto de censurar os insultos que se faziam à chanceler alemã na internet. No entendimento português, Angela Merkel deve ser uma tapada que não vê a importância do óbvio.

Assim sendo, e com base no que foi dito aqui e no que sabemos sobre a situação, vou buscar inspiração a Confúcio, para utilizar uma figura conhecida na China e no ocidente, para enviar uma mensagem universal, quer às autoridades chinesas por se mostrarem tão determinadas nas suas tentativas de atingirem o estatuto de super-potência, quer às autoridades portuguesas por fazerem todos os possíveis para serem uns bons parceiros dessa futura super-potência e assegurar uma relação produtiva com Pequim durante o século XXI. Esta mensagem de forte componente gráfica e de alcance universal é para vocês.



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11.9.07

O mestre do óbvio!


Tal como aconteceu anteriormente, o Dalai Lama não vai ser recebido pelo governo português na sua visita a Portugal. Por razões “óbvias” disse o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Essas razões “óbvias” serão certamente duas: o Dalai Lama não é um chefe de estado estrangeiro (uma vez que o Tibete não é um estado soberano), e a República Popular da China acha que tal acto iria certamente prejudicar a “harmonia” das relações com Portugal…com um pouco mais de peso para a segunda razão, obviamente…

Por razões óbvias, gostaria de saber porque motivo Portugal se rebaixa sempre perante as posições de outros países…é óbvio que o Dalai Lama não é um chefe de estado estrangeiro mas isso não significa que não possa ser recebido pelo governo português - afinal, o que impede o governo de receber um dos indivíduos mais proeminentes do panorama político global? Fosse outro país que estivesse em causa e talvez a posição do governo fosse outra, por razões óbvias.

Depois do “não devemos dar lições de democracia à Rússia”, do “vamos fazer os possíveis para que a TAAG possa continuar a voar para Portugal apesar da interdição da Comissão Europeia” e do “vamos dar vantagem ao Brasil no acordo ortográfico da língua portuguesa”, temos o “não vamos perturbar a harmonia das relações com a China”…obviamente.

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