17.9.04

O interminável e vicioso carrossel da nossa Humanidade

De vez em quando eu tenho umas dúvidas que se manifestam dentro de mim a um volume interno que não chega para me desviar completamente do que estou a fazer mas que periodicamente saltam para a minha frente e conseguem permanecer na minha mente durante meses e anos sem que na verdade sejam alguma vez esclarecidas. São as minhas dúvidas de estimação e vou agora exemplificar.

Toda a gente já reflectiu minimamente sobre o sentido da vida...e se nós na verdade não formos mais do que um sonho infinitamente complexo de uma criatura cuja existência está além da nossa compreensão? Podemos ser também nada mais do que uma "pequena" experiência de laboratório de um ser de dimensões exponencialmente superiores (não estou a falar de deuses, estou a falar de criaturas físicas) que se diverte connosco ou pelo contrário, está a fazer uma séria investigação científica? O que nos vai acontecer quando ele decidir terminar a experiência?
Afinal, somos ou não somos as criaturas mais poderosas e inteligentes que existem? Eu gosto de pensar que sim, eu tenho motivos para pensar que si, afinal de contas, criámos as estruturas que nos rodeiam e adaptámo-nos à natureza, conseguimos moldá-la à nossa espécie e prevenir muitas das suas características, criámos deuses e lançámos as sementes da nossa própria destruição física e mental ao fomentar guerras e ao propagar religiões. Logo, fará todo o sentido que sejamos, pelo menos até uma posterior descoberta, as criaturas mais complexas e poderosas que existem, até já extrapolámos as limitações do nosso pequeno planeta.

Assim, fará todo o sentido que a explicação para o dito "sentido da vida" não seja nada daquilo que nós imaginámos, nunca poderá ser reduzida a uma frase ou a uma pequena função. Desde que comecei a reflectir nesta questão que uma das explicações que mais plausível me parece está no círculo interminável que descrevemos há milhares de anos, procurando sem cessar uma explicação minimamente racional para a nossa existência neste mundo. Ou seja, existimos para tentar explicar a nossa própria existência, contudo, esta existência é tão complexa que o esforço necessário para a compreender plenamente ultrapassa a escala temporal da vida de qualquer Humano. Sendo tão complexa e quase "impossível" de atingir, a nossa existência não tem de forma nenhuma de ser limitada. Porque é que ainda existem tantos monolitos anacrónicos em todo o mundo, que afectam tanta gente? Porque é que ainda há Humanos cuja explicação para a existência implica submissão a outros que encaram a existência invertendo a premissa anterior?

Tal como não há uma equação unificadora da existência, não há uma fórmula simples para a compreensão. Os elementos mais representativos da existência Humana em todo o seu esplendor encontram-se espalhados pelo Mundo, no tempo e no espaço. Apesar das diferenças, estes elementos são na verdade, fáceis de encaixar uns nos outros, formando assim um dia, o puzzle que se julgava impossível de completar. Até agora, ninguém o conseguiu terminar, mas a verdade é que o que não falta no nosso mundo são elementos perturbadores que nos afastam. Ou será que não são assim tão perturbadores? Por mais irritantes que possam ser, há elementos que podem, até pela negativa, dar um valioso contributo para o puzzle.

Tendo em conta tudo isto, não faz sentido dar tanta importância a assuntos que só superficialmente é que são importantes. Os Humanos precisam de uma chamada, de um apelo geral que os alerte para a situação, situação essa em que a sua existência se arrisca a tornar numa longa e enfadonha linha recta nivelada por baixo. Talvez porque não se achem capazes de dar um contributo para a interminável busca de uma justificação da existência Humana, ou talvez porque os elementos externos são de tal forma perturbadores que os impossibilita. Contudo, um Humano nunca está completamente limitado! O cérebro Humano é o órgão mais denso e complexo que por enquanto conhecemos no nosso Universo e não deixa de funcionar mesmo nas situações mais adversas.

É quase certo que nenhum de nós chegará à conclusão final, mas todos podemos dar um valioso contributo. Eu gostaria de acrescentar a minha premissa ao puzzle: Nada é sagrado! Tudo pode ser desmantelado, decomposto, sondado, destruído, reconstruído com uma nova dinâmica, profanado, invertido, revolvido...acho que já me fiz entender. Nunca encarem nada como se fosse indestrutível e isto aplica-se tanto a estruturas físicas como a raciocínios mentais, opiniões, sistemas, códigos e tudo o mais que é conhecido. Sejam livres!

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