8.8.05

As piores expressões da língua Portuguesa

Até que ponto um idioma reflecte a cultura do seu povo? Apresento as expressões da língua Portuguesa pelas quais eu sinto a maior antipatia possível, por achar que são ridículas e por considerar que reflectem o que de pior existe na mente dos Portugueses, mais em alguns do que noutros.
Passo assim a apresentar:
- tem que ser, e o que tem que ser tem muita força
Esta expressão reflecte o máximo do conformismo e do seguidismo, a submissão às
circunstâncias, por mais desagradáveis que sejam e a crença na sua rectidão, apesar da sua dureza. Simultaneamente, exprime a ausência total de contestação ao que nos rodeia e apresenta-o como uma realidade final à qual não podemos escapar.
- é assim
Muito parecida com a anterior, embora de alcance menor, exprime igualmente falta de vontade e um conformismo galopante por algo quando disso nos queixamos. Tal como a anterior, não dá azo a qualquer tentativa de alteração das circunstâncias.
- é a vida
Já é a terceira expressão da mesma família, esta difere das anteriores no sentido em que se aplica a situações que, na maior parte das vezes, não poderíamos alterar, como por exemplo a morte de um amigo ou de um familiar, mas coincide no que diz respeito à forma das duas primeiras, ou seja, pretende insinuar que por piores que sejam as adversidades, fazem sempre parte de um plano maior, de uma continuidade contra a qual não podemos nada e que por mais que tentemos fugir, somos sempre apanhados
- é o país que temos
Sim, e sempre será enquanto este expressão subsistir. Não é o país que temos, é o país que nos impuseram e que nunca iremos ultrapassar enquanto assim o consentirmos. Mais uma vez, a mesquinhez ao serviço da cultura e do quotidiano Português, o país é este, assim é a forma como é gerido e como a realidade se desenrola e nada podemos fazer quanto a isso.
- vai-se andando
A expressão típica de 95% dos Portugueses [talvez um pouco menos], significa que não somos felizes como gostaríamos [ou seja, não têm o dinheiro que gostavam...] mas que apesar de tudo, podia ser pior [sim, podíamos estar mortos, isso era desagradavelzinho, não era?] ou seja, como o frequente é olhar para o que é pior, é preferível ficarmos como estamos porque se nos metermos em aventuras, a coisa corre mal e ficamos pior do que o que estávamos. É sem dúvida alguma, uma das mais abjectas e repulsivas expressões da língua Portuguesa, nunca iremos ser felizes, é o que ela pretende insinuar, não será em parte porque ao invés de racionalmente analisarmos o que nos rodeia, atiramos expressões mesquinhas e redutoras a tudo o que nos contraria?
- até amanhã se deus quiser
Cá está, já faltava uma expressão explicitamente religiosa a atirar para as mãos de alguém que segundo se consta, está um degrau ou dois acima de nós, a nossa sorte. Tal não é o seu poder, que dele depende se nós vamos ou não encontrar aquela pessoa de quem nos despedimos naquele dia! Suponho que se entretanto escorregarmos numa casca de banana, ou cairmos das escadas abaixo, ou tivermos um acidente de viação, quer a culpa seja nossa, quer não, foi alguém com poder sobre nós que não permitiu.
Assim foi a minha selecção das que considero serem as piores expressões da língua Portuguesa. Para conhecer o quotidiano, os hábitos, os costumes e a mente de um povo, é necessário conhecer a sua língua. Infelizmente, eu conheço-a ao ponto de afirmar que não existe qualquer intersecção entre a minha visão e a que deu origem a tais expressões. Serei menos Português por causa disto?

1 Comments:

Blogger lucy pepper said...

perfeitos.

cruzamos hoje em "se deus quiser".... religião E subjuntivo na mesma frase! que horror.

uma expressão pt que irrita me é "é complicado" para explicar qualquer falta, escasso, situação.

obviamente, o meu pt escrito deve irritar muita gente... por isso... fico quieta

:)

08 agosto, 2005 23:34  

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