21.7.08

Apedrejamentos no Irão...mas é tudo legal

No Irão, oito mulheres e um homem foram condenados à morte pelo apedrejamento. Sim, ainda há pessoas que são executadas através do apedrejamento [notem que eu não disse apenas "ainda há pessoas que são executadas"]. De acordo com esta notícia, "The eight women sentenced, whose ages range from 27 to 43, had convictions including prostitution, incest and adultery, Reuters news agency reported. The man, a 50-year-old music teacher, was convicted of illegal sex with a student, reports said."
Aparentemente, nenhum dos "crimes" foi cometido sob coacção nem vitimou ninguém, o que contribui ainda mais para vermos como certos países parecem não saber tratar os seus cidadãos como seres humanos - sendo o Irão uma República Islâmica [oh por favor...uma república de base religiosa não passa de uma mentira a todos os níveis] e se de acordo com as interpretações da lei islâmica, é aceitável apedrejar pessoas até à morte por crimes que não vitimam ninguém, isso torna-se numa prática aceitável se for ordenada pelo poder judicial.
É justo dizer-se que cada país deve tratar dos seus próprios assuntos internos, mas, e correndo o risco de ser rotulado de "ocidental arrogante" ou até mesmo de "neo-colonialista/imperialista", eu prefiro pensar que existem valores universais comuns a toda a Humanidade e que estão acima de correntes religiosas e de doutrinas políticas - caso contrário, nenhuma ideia conseguiria sair do seu local de origem e encontrar eco em locais distantes.
Não é altura de usar adjectivos como "retrógrado" ou de referir paradoxos como "tentativas de modernização que coexistem com métodos medievais" - isso é partir do princípio que todos os países se encontram num processo imparável a caminho do "progresso" e que eventualmente, vamos todos ser regidos pelas mesmas leis.
Acontece que países como o Irão [e já agora, a Arábia Saudita, antes que venham dizer que os aliados dos EUA também fazem coisas destas] consideram que abolir tais práticas seria apenas vergarem-se à pressão do ocidente e isso seria visto como uma humilhação perante o Mundo - o que é compreensível, afinal não criaram um dos estados mais grotescos do Mundo para depois suavizarem as leis devido às pressões externas.
Se no Irão, práticas como a execução por apedrejamento são vistas como normais, que legitimidade temos nós para os criticar? Afinal, os EUA também cometem violações dos Direitos Humanos [numa escala ligeiramente menor], porque é que o Irão não as pode fazer? Claro que partir do princípio que esta medida goza do apoio da maioria dos iranianos é muito imprudente. Afinal, a maioria dos húngaros detestava a ocupação soviética e ninguém os foi ajudar quando estes se levantaram contra o invasor. O mais importante aqui é saber porque razão é que um estado como o Irão ainda existe? Não se trata apenas de práticas judiciais desumanas, trata-se de todo um país que é uma distorção total daquilo que um país deve ser [e já estou a ouvir "deve ser como quem...como os Estados Unidos?"], uma vez que é um estado baseado numa religião e com intenções de manter o seu status quo através da venda de combustíveis fósseis.
Dificilmente se podem esperar atitudes de maior respeito para com os Direitos Humanos vindas do Irão - um país onde os seus dirigentes mais poderosos se dignam a ditar o que é moralmente ofensivo - e o pior de tudo isto é que não se trata de um pequeno país sem projecção mundial, trata-se de um país de grandes dimensões, com uma intervenção directa no seu vizinho Iraque, que financia movimentos terroristas no Médio Oriente e que ainda serve de orientação espiritual a muitos que pretendem instituir um totalitarismo com base na religião islâmica...onde, entre outras coisas, há pessoas condenadas à morte por adultério.

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23.9.07

O novo brinquedo do Irão

Com toda a pompa e orgulho de quem não tem motivos nenhuns para o ter mas que gosta de dar uma injecção à auto-estima e de fingir que é um gigante, o Irão exibiu ao Mundo o seu novo brinquedo - o míssil Ghadr, uma actualização do Shahab-3 que o Irão colocou ao serviço há dez anos e que por sua vez é baseado no No Dong da Coreia do Norte.

O brinquedinho novo tem um alcance de 1 800 km (ou seja, 500km mais do que o seu antecessor) o que o torna capaz de atingir não só as bases americanas no Médio Oriente, como também Israel. Surge numa altura em que o "homem forte" de Teerão, Ahmadinejad, fez do programa nuclear iraniano o seu cavalo de batalha. De acordo com o presidente iraniano, o programa nuclear tem fins pacíficos e o objectivo é atingir maior eficiência energética, isto num país onde abastecer um carro com gasolina é mais barato que comprar água, mas onde uma infraestrutura obsoleta não lhe permite aproveitar ao máximo as reservas petrolíferas. Vai daí então...programa nuclear, apesar de (ou talvez por causa de) quem idealizou e aprovou tudo isto saber até ao último neurónio que metade do Mundo iria ver isto com muitos maus olhos - mas quem num país como o Irão é capaz de no início do século XXI fazer avançar um programa nuclear e ainda dizer que tem fins pacíficos, deve saber muito bem o que está a fazer - que os EUA estão demasiado atolados para conseguirem reagir, que a UE não se quer meter no assunto além de lançar umas declarações idealistas para o ar e que vai ter o apoio da Rússia e da China que vêem com bons olhos a possibilidade de terem ao seu lado um contra-peso à influência americana no Médio Oriente com hipotéticas armas nucleares.

O presidente iraniano continua a afirmar que em caso de ataque, venha ele dos EUA, de Israel ou de outro país qualquer, o Irão vai defender-se com as armas que tiver. Eu agora pergunto: até que ponto um programa nuclear pode ser pacífico quando o país que o está a desenvolver está disposto a arriscar uma guerra com os EUA e Israel (país que se ainda existe hoje em dia é porque soube defender-se ao longo dos últimos 60 anos) e a generalizar um conflito que arraste todo o Médio Oriente?

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9.2.07

EUA e Irão?

Depois de um pântano iraquiano, surgem as primeiras suspeitas [tratadas por uma forte cosmética mediática] de que os EUA estão a realizar as investigações necessárias à realização de um ataque ao Irão. Antes que comecem a especular, convém realçar que apesar de tudo, a administração Bush sabe muito bem que não irá desencadear uma guerra com o Irão e Teerão sabe igualmente que não vai entrar num conflito com os EUA. Mantendo-se as actuais circunstâncias, isso é tão provável como Portugal retomar a convergência com a média Europeia até ao final da década...

O que tornou isto num assunto tão badalado - e já alvo de alarmismos desnecessários - é sobretudo a interferência iraniana no Iraque. Digo "interferência", como podia dizer "apoio ao terrorismo", no Iraque e no Médio Oriente, porque sou ocidental. Se fosse iraniano diria apenas "política externa", mas o relativismo tem destas coisas, o que para mim é um atentado e uma tentativa de impor um estado islâmico é uma vocação e uma projecção necessária aos olhos de um iraniano.

Em relação ao programa nuclear, já todos vimos que se trata sobretudo de propaganda barata. Se estivéssemos a falar de um país sustentável, com uma sociedade estável e com uma economia desenvolvida, não seria preocupante porque esse país nunca seria anti-ocidental. Como estamos a falar do Irão, tão pouco é preocupante, estamos a falar de uma lástima de país, com um desemprego altíssimo, condições sociais que agravam a cada ano e um crescente isolamento. Já nem o palhaço vocal, vulgo, presidente Ahmadinedjad, consegue empolgar os iranianos, mais preocupados com o seu quotidiano do que com eventuais posições de força em relação ao programa nuclear.

Assim sendo e apesar das pseudo-ameaças que se fazem de lado-a-lado, americanos e iranianos sabem que não vai haver nenhum conflito, mantendo-se as actuais circunstâncias. Nem os EUA têm capacidade [física e moral] para começar uma nova frente de guerra no Irão, nem o Irão tem capacidade para resistir a um ataque americano. A menos que os 68 milhões de iranianos morram como mártires suicidas contra as tropas americanas, acção que seria louvável do ponto de vista dos iranianos [afinal, desde pequenos que o culto dos mártires lhes é inculcado na escola] isso poderia salvaguardar a integridade do país, mas teria como consequência o seu despovoamento total e não sei até que ponto um Irão independente e vazio serve de alguma coisa. Claro que se a teocracia fosse destruída, todos beneficiariam, mas duvido que isso venha a acontecer tão depressa.

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